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2015: um ano da graça do Senhor

Queridos irmãos e irmãs!

Desejo a todos um ano novo de paz e de alegria. Que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo, estejam presentes na vida de todos vós, em todos os dias do ano novo de 2015. Ainda a cena de Belém é a que nos inspira a voltar nossos corações para a ternura de Deus e a reconhecer que Ele faz novas todas as coisas (cf. Ap 21,6). Ele é que inicia um novo tempo para nós, tempo de graça, de alegria e de paz. Contemplemos o mistério de graça que envolve a Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, Filho de Deus.

“NASCEU PARA VÓS O SALVADOR” (LC 2,11)

Queridos irmãos e irmãs!

“Nasceu para vós o Salvador” (Lc 2,11)

Jesus nasceu em Belém! O Filho de Deus quis fazer parte da família humana. Louvemos, bendigamos e adoremos o Menino Deus que nos traz alegria, paz e esperança. É Natal! Os nossos corações se alegram e sentem a paz que o nascimento do Salvador vem trazer à humanidade. Eis que a vinda do Menino Deus é o anúncio do Evangelho da família. O Filho de Deus quis fazer parte da família humana para os homens e as mulheres fizessem parte da família divina. De fato, Jesus é o elo que une Deus e os homens, tornando-os amigos, fazendo do mundo a casa reconciliada, o lugar da salvação, da ternura e da paz. O nascimento de Jesus dá início à reconciliação do gênero humano, torna possível a paz entre os homens e manifesta o projeto de Deus de reunir todos os homens e todas as mulheres. Jesus nasce para revelar aos homens e às mulheres o grande amor de Deus pelo ser humano e sua sublime vocação: “o que se expressava no barro, se pensava em Cristo que devia tornar-se homem”, assim afirmava um autor do 3º século, Tertuliano (160-220), referindo-se a Gn2,7, o relato da criação do homem. Que pensamento reconfortante é esse: quando Deus pensou o homem, Ele pensou em expressar-se nesse homem através da Encarnação do Verbo divino, do Filho eterno. Essa é uma alegria que nunca acaba. Para sempre o homem está ligado a Deus, pois Deus mesmo se liga ao homem, quando o Filho se torna homem. Eis a mensagem do Natal: nasce para nós o Salvador, vem para o mundo o criador, porque nele foram criadas todas as coisas e nele todas as coisas subsistem (cf. Cl 2,16-17). Ao tornar-se homem, o Filho de Deus vem unir-se ao que era seu. Seu nascimento revela a dignidade do ser humano, a grandeza da natureza humana, a vocação sublime à qual o homem e a mulher são chamados.

Neste Natal, quero desejar a todos que a mensagem de alegria da gruta de Belém, encha os corações de todas as pessoas de boa vontade. Minha mensagem a todos os moradores de Natal e das outras cidades da Arquidiocese. Dirijo-me a todos vós, fiéisem Cristo, católicos e não-católicos, que esta data torne nossos corações mais sensíveis aos sofrimentos e dificuldades vividas por tantos de nossos irmãos e irmãs. Que a fé em Jesus, concebido do Espírito Santo e nascido da virgem Maria, uma nossos corações para que testemunhemos, juntos, a alegria da mensagem de ternura e de paz que o Menino de Belémtraz para todos.

Celebrar o Natal é uma oportunidade para reconhecermos que jamais estamos sozinhos no caminho da vida. Não recordamos esta data como fazemos com as datas de acontecimentos que envolvem cientistas, conquistadores, escritores, pesquisadores, estadistas, pensadores, mas recordamos um acontecimento vivente, de renovação do mundo, evento de uma nova criação, “um acontecimento que é uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (BENTO XVI. Encíclica Deus caritas est, 1). A renovação de nossa vida, a conversão pastoral à qual nos chama a Igreja acontecem, pois o Menino Deus renova todas as coisas, e com sua luz ilumina as nossas trevas, traz novo vigor aos nossos corações cansados, decepcionados, para que, renovados, continuem a levar a todos a ternura daquela imagem que move os corações: encontrareis o recém-nascido, sua mãe e José. Eles são a imagem do Evangelho da família. Que eles abençoem as nossas famílias e tragam para elas a paz, a concórdia e a harmonia. Amém.

 

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo metropolitano de Natal

Fonte: Arquidiocese de Natal

O Ano da Vida Consagrada

Queridos irmãos e irmãs!

No domingo passado, 30 de novembro, a Igreja abriu, solenemente, o Ano da Vida Consagrada, que se estende até o dia 2 de fevereiro de 2016, Festa da Apresentação do Senhor. No ano de 2015 a Igreja celebrará os 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II, que reconheceu a importância dos religiosos e religiosas, dedicando o capitulo VI da Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium (cf. nn.43-47). E ainda, dedicou um decreto sobre a atualização dos religiosos (o decreto Perfectaecaritatis). As primeiras palavras deste Decreto salientam o que o Concílio já afirmara na Lumen gentium: “o Santo Concílio já mostrou na Constituição Lumen gentium que o procurar seguir a caridade perfeita pela prática dos conselhos evangélicos tem origem na doutrina e nos exemplo do Divino Mestre, e aparece como sinal muito claro do Reino do céu” (Decreto Perfectaecaritatis, 1). A Igreja celebrará também os 50 anos da publicação deste Decreto, promulgado em 28 de outubro de 1965. Além do Decreto Perfectaecaritatis, do capítulo VI da Lumen gentium, os religiosos e religiosas podem contar com um importante texto, a Exortação apostólica pós-sinodal Vita consecrata, do Papa São João Paulo II, publicada seguindo as proposições do Sínodo dos Bispos de 1994.

A MENSAGEM DO SÍNODO E A PASTORAL FAMILIAR

Queridos irmãos e irmãs!

Quero ainda falar convosco sobre o Sínodo dos Bispos, encerrado no domingo passado, dia 19, com a beatificação do Papa Paulo VI, o Papa que instituiu para toda a Igreja, após a realização do Concílio Vaticano II, o Sínodo dos Bispos, como expressão da colegialidade episcopal e para manifestar a sinodalidade da Igreja, isto é, como a Igreja vive na comunhão e na colaboração.  Inspiradas foram as palavras do Papa Francisco, no discurso de encerramento do Sínodo: “os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de guiar e de servir a Igreja, não como donos, mas como servidores. O Papa…não é o senhor supremo, mas sim um supremo servidor”.A realização da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos nos coloca diante de um caminho de comunhão e de colaboração. Não tem outro modo de viver a missão da Igreja. Sem comunhão e sem colaboração a Igreja não consegue ir adiante.

O Papa Francisco apresentou uma síntese dos debates, das discussões e dos testemunhos de bispos e casais, presentes na aula sinodal e chamou a atenção para o percurso que vai até a realização da 14º Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, de 4 a 25 de outubro de 2015. Será um ano, a partir de agora, em que toda Igreja deverá se conscientizar de que o anúncio do Evangelho da família constitui uma urgência para a nova evangelização. A Igreja é chamada a fazê-lo com ternura de mãe e clareza de mestra. Somos chamados a assumir esta urgência no nosso plano pastoral, com mais determinação. É necessário, pois, insistir para que todo o povo de Deus, independente de uma particular participação em pastorais, movimentos, serviços ou comunidades, tenha essa urgência como indispensável para a sua atuação na evangelização. Mais uma vez, seguindo o Documento de Aparecida, a Evangelii gaudium e o Documento 100 da CNBB (Comunidade de comunidades. Uma nova paroquia. A conversão pastoral da paróquia), é meu dever de pastor afirmar o que o Sínodo chamou de conversão missionária: é necessário não parar num anúncio meramente teórico e distante dos reais problemas das pessoas. Para isso, vejo como sinais dos tempos a preocupação e a insistência de Papa Francisco na vivência da fé como “saída”, ir ao encontro. Será um sinal de conversão uma pastoral familiar que vá ao encontro dos casais que vivem, não sem sacrifício, a fé e o amor conjugal na fidelidade, na oração e na participação comunitária. Mas, também, que vai ao encontro das outras situações de casais que não tem o vínculo sacramental, ou que passaram pela experiência da falência da primeira união conjugal, abençoada no sacramento do Matrimônio, ou que vivam a relação num casamento civil ou que tem a experiência de família monoparental. As palavras que indicam a atitude da Igreja foram: acompanhamento, acolhimento, cura e atenção pastoral, respeito pela pessoa, como no caso das pessoas com orientação homossexual.

Para além de uma decisão sobre a questão da possiblidade de comunhão eucarística, para os divorciados recasados, que não podem receber o sacramento do Matrimônio, questão que será ainda debatida na próxima assembleia sinodal, o que o Sínodo deste ano nos ensina é que não pode haver doutrina sem misericórdia, isto é, a afirmação da indissolubilidade do matrimônio não nos faz insensíveis diante do sofrimento daqueles que sofrem por causa de uma união conjugal falida ou que não possibilita a vivência do amor recíproco, reflexo do amor livre e eterno de Deus pelo homem e pela mulher.

 

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo metropolitano de Natal

Ser “fecundados” pela Palavra

Queridos irmãos e irmãs!

Neste mês de setembro, apenas iniciado, a Igreja nos chama a renovar a nossa atenção acerca da Palavra de Deus, procurando ser não meros ouvintes, mas praticantes da Palavra (cf. Tg 1,22). Ser praticantes da Palavra significa deixarmo-nos fecundar por ela, assim como Maria, exemplo perfeito de escuta da Palavra e de reciprocidade entre Palavra e fé. Eis o que o mês da Bíblia nos propõe: deixar que a Palavra nos envolva, plasme cada instante de nossa vida, viver em plena sintonia com a Palavra divina (cf. Exortação apostólica Verbum Domini, 27). Para nós que assumimos o caminho de conversão pastoral o exemplo da Mãe da Palavra encarnada é de suma importância: “a nossa ação apostólica e pastoral não poderá jamais ser eficaz, se não aprendermos de Maria a deixar-nos plasmar pela ação de Deus em nós” (Verbum Domini, 27). Quando isso acontece em nós, então se realiza o que Santo Ambrósio (bispo e doutor da Igreja, nascido em 340 e morto em 397, foi bispo de Milão, na Itália) ensinava sobre o fato de que cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é fruto de todos (Verbum Domini, 29).

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