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Ser “fecundados” pela Palavra

Queridos irmãos e irmãs!

Neste mês de setembro, apenas iniciado, a Igreja nos chama a renovar a nossa atenção acerca da Palavra de Deus, procurando ser não meros ouvintes, mas praticantes da Palavra (cf. Tg 1,22). Ser praticantes da Palavra significa deixarmo-nos fecundar por ela, assim como Maria, exemplo perfeito de escuta da Palavra e de reciprocidade entre Palavra e fé. Eis o que o mês da Bíblia nos propõe: deixar que a Palavra nos envolva, plasme cada instante de nossa vida, viver em plena sintonia com a Palavra divina (cf. Exortação apostólica Verbum Domini, 27). Para nós que assumimos o caminho de conversão pastoral o exemplo da Mãe da Palavra encarnada é de suma importância: “a nossa ação apostólica e pastoral não poderá jamais ser eficaz, se não aprendermos de Maria a deixar-nos plasmar pela ação de Deus em nós” (Verbum Domini, 27). Quando isso acontece em nós, então se realiza o que Santo Ambrósio (bispo e doutor da Igreja, nascido em 340 e morto em 397, foi bispo de Milão, na Itália) ensinava sobre o fato de que cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é fruto de todos (Verbum Domini, 29).

 

Com estes ensinamentos somos interpelados a nos questionar sobre como estamos vivendo a Palavra. Nas nossas ações pastorais a Palavra de Deus tem o seu lugar central? Lemos a Palavra em nossas reuniões de pastoral, de movimentos e serviços? Somos conscientes de que somente se nos deixarmos fecundar pela Palavra é que seremos autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo? Não quero julgar ninguém, pois eu sei que isso acontece em nossas ações, em nossas comunidades. Mas, sinto o dever de ressaltar esta centralidade da Palavra para cuidar mais e mais do rebanho a mim confiado. E mais, ninguém pode esquecer que assumimos como Igreja Particular a urgência da ação evangelizadora que tem na Palavra a sua luz renovadora: “a Igreja, casa da animação bíblica” (3ª urgência das Diretrizes gerais da ação evangelizadora da CNBB, assumida pelo nossoPlano Pastoral Arquidiocesano 2012-2015). Eis o que a Palavra realiza em nos, quando assumimos a sua centralidade na vida e na pastoral de nossas comunidades: a Palavra anima, isto é, dá a alma, é a substância da nossa missão. E isso, mais enfatizado ainda porque a Palavra é, sobretudo Jesus, o Verbo encarnado, a Palavra criadora do Pai, que veio habitar entre nós e em nós (cf. Jo 1,14).

Convido a todos, não somente neste mês, mas em toda ação pastoral a que nunca se esqueçam da animação bíblica da vida e da pastoral. É preciso que a Palavra esteja no coração de cada católico, não somente nas mãos. De fato, quando pensei a campanha do Catecismo em cada lar, estava bem consciente da relação que existe entre a Bíblia e a catequese. Nenhuma doutrina da Igreja é ensinada sem ter a base da Palavra. Toda doutrina é inspirada na Palavra de Deus e é ensinada para que seja sustentada a fé dos cristãos e para que vivam mais e mais na relação de amizade com Deus e no compromisso de caridade para com os irmãos e irmãs. Nós não só deploramos um fundamentalismo intimista, mas recusamos também todo fundamentalismo que use a Palavra de Deus para sustentar um cristianismo sem qualquer influência na vida social e nacional, sem tornar cada cristão e cada comunidade instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção humana, especialmente dos mais pobres e excluídos.

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