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A MENSAGEM DO SÍNODO E A PASTORAL FAMILIAR

Queridos irmãos e irmãs!

Quero ainda falar convosco sobre o Sínodo dos Bispos, encerrado no domingo passado, dia 19, com a beatificação do Papa Paulo VI, o Papa que instituiu para toda a Igreja, após a realização do Concílio Vaticano II, o Sínodo dos Bispos, como expressão da colegialidade episcopal e para manifestar a sinodalidade da Igreja, isto é, como a Igreja vive na comunhão e na colaboração.  Inspiradas foram as palavras do Papa Francisco, no discurso de encerramento do Sínodo: “os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de guiar e de servir a Igreja, não como donos, mas como servidores. O Papa…não é o senhor supremo, mas sim um supremo servidor”.A realização da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos nos coloca diante de um caminho de comunhão e de colaboração. Não tem outro modo de viver a missão da Igreja. Sem comunhão e sem colaboração a Igreja não consegue ir adiante.

O Papa Francisco apresentou uma síntese dos debates, das discussões e dos testemunhos de bispos e casais, presentes na aula sinodal e chamou a atenção para o percurso que vai até a realização da 14º Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, de 4 a 25 de outubro de 2015. Será um ano, a partir de agora, em que toda Igreja deverá se conscientizar de que o anúncio do Evangelho da família constitui uma urgência para a nova evangelização. A Igreja é chamada a fazê-lo com ternura de mãe e clareza de mestra. Somos chamados a assumir esta urgência no nosso plano pastoral, com mais determinação. É necessário, pois, insistir para que todo o povo de Deus, independente de uma particular participação em pastorais, movimentos, serviços ou comunidades, tenha essa urgência como indispensável para a sua atuação na evangelização. Mais uma vez, seguindo o Documento de Aparecida, a Evangelii gaudium e o Documento 100 da CNBB (Comunidade de comunidades. Uma nova paroquia. A conversão pastoral da paróquia), é meu dever de pastor afirmar o que o Sínodo chamou de conversão missionária: é necessário não parar num anúncio meramente teórico e distante dos reais problemas das pessoas. Para isso, vejo como sinais dos tempos a preocupação e a insistência de Papa Francisco na vivência da fé como “saída”, ir ao encontro. Será um sinal de conversão uma pastoral familiar que vá ao encontro dos casais que vivem, não sem sacrifício, a fé e o amor conjugal na fidelidade, na oração e na participação comunitária. Mas, também, que vai ao encontro das outras situações de casais que não tem o vínculo sacramental, ou que passaram pela experiência da falência da primeira união conjugal, abençoada no sacramento do Matrimônio, ou que vivam a relação num casamento civil ou que tem a experiência de família monoparental. As palavras que indicam a atitude da Igreja foram: acompanhamento, acolhimento, cura e atenção pastoral, respeito pela pessoa, como no caso das pessoas com orientação homossexual.

Para além de uma decisão sobre a questão da possiblidade de comunhão eucarística, para os divorciados recasados, que não podem receber o sacramento do Matrimônio, questão que será ainda debatida na próxima assembleia sinodal, o que o Sínodo deste ano nos ensina é que não pode haver doutrina sem misericórdia, isto é, a afirmação da indissolubilidade do matrimônio não nos faz insensíveis diante do sofrimento daqueles que sofrem por causa de uma união conjugal falida ou que não possibilita a vivência do amor recíproco, reflexo do amor livre e eterno de Deus pelo homem e pela mulher.

 

Dom Jaime Vieira Rocha

Arcebispo metropolitano de Natal

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